Combustível evapora, o tanque não mostra número redondo e o estoque do sistema quase nunca bate com o que está no chão. Para o dono de posto, isso é rotina — mas quando a diferença passa do limite, vira problema com o Fisco. O controle de estoque de combustível posto não é só gestão: é o que sustenta o Livro de Movimentação de Combustíveis (LMC) exigido pela ANP e o que evita que uma divergência entre o físico e o contábil se transforme em autuação. Este artigo mostra, sem juridiquês, como o limite de perda, o LMC e o fechamento diário se conectam, pela ótica de quem atende postos em São Paulo há 34 anos.
Em resumo
- A perda por evaporação e manuseio tem limite de 0,6%: a diferença entre o estoque físico e o contábil não pode passar disso sem virar suspeita.
- O Livro de Movimentação de Combustíveis (LMC) é obrigatório e registra entradas, saídas e estoque diariamente — mesmo em dia sem movimento.
- Divergência entre o estoque físico e o contábil é gatilho de autuação: para o Fisco, sobra pode indicar venda sem nota e falta pode indicar compra sem nota.
- O fechamento diário bem-feito é o que mantém LMC, estoque e contabilidade falando a mesma língua.
- A contabilidade entra aqui como ponte entre a operação e o Fisco, conciliando o que a bomba mediu com o que a nota fiscal registrou.
Qual é o limite de perda de combustível aceito?
A referência é de 0,6%. Pelo art. 5º da Resolução ANP nº 884, de 5 de setembro de 2022 (DOU de 8 de setembro de 2022, em vigor desde 3 de outubro de 2022), quando a variação no estoque físico de combustível passa de seis décimos por cento sem a comprovação legal de movimentação comercial, o revendedor precisa apurar as causas e registrar a justificativa no campo de observações do LMC. A variação é medida pelo campo 8, “Perdas + ganhos”, do próprio livro. Acima dessa margem, a perda deixa de ser explicável só pela evaporação e pelo manuseio, e o fiscal pode tratá-la como indício de irregularidade.
Esse percentual não é chute do posto; vem da Portaria DNC nº 26, de 13 de novembro de 1992, que criou o LMC e foi revogada pelo art. 7º da Resolução ANP nº 884/2022, que manteve a mesma margem e hoje disciplina o livro na regulação da ANP. A lógica por trás dele é física: combustível é volátil, evapora com o calor, sofre variação de volume com a temperatura e se perde um pouco no manuseio da bomba e do tanque. A regulação reconhece isso e admite uma perda natural de até 0,6%. O problema começa quando a diferença estoura esse teto. Uma sobra grande sugere que entrou produto sem nota; uma falta grande sugere que saiu produto sem nota, ou seja, venda que não foi registrada. Nos dois casos, o número fora da faixa é o que chama a atenção da fiscalização. Manter a perda dentro do limite, e saber justificar cada divergência, é o primeiro degrau do controle fiscal do posto.
O que é o LMC e por que ele é obrigatório?
O Livro de Movimentação de Combustíveis, o LMC, é o registro obrigatório de tudo que entra e sai de combustível no posto. Ele documenta as compras, as vendas e o estoque de cada produto, dia a dia, e serve de base para a fiscalização da ANP verificar se a operação bate com o que foi declarado.
A obrigatoriedade tem um detalhe que pega muito dono desprevenido: o LMC precisa ser preenchido todos os dias, ainda que não haja movimento de produto naquela data. Não é um livro que se preenche no fim do mês olhando as notas de trás para frente; é um controle diário, que acompanha a operação em tempo real. Segundo a ANP, desde a atualização de 2022 o LMC pode ser escriturado eletronicamente, o que facilita a rotina, mas não muda a exigência de registro diário. É nesse livro que a fiscalização cruza o volume comprado, o volume vendido e o estoque final para checar se a perda ficou dentro dos 0,6%. Um LMC atrasado, incompleto ou que não conversa com as notas fiscais é, por si só, um problema — e costuma ser a primeira coisa que o fiscal pede quando chega ao posto.
Por que a divergência de estoque vira autuação?
Porque, para o Fisco, estoque que não bate é sinal de nota que faltou. A contabilidade parte das notas fiscais: cada litro comprado entra, cada litro vendido sai. Se o estoque físico do tanque não confere com esse cálculo, alguma movimentação aconteceu sem passar pela nota — e é exatamente isso que a fiscalização vai atrás.
A leitura do fiscal é direta. Se o tanque tem menos combustível do que o contábil aponta, e a falta passa dos 0,6%, a suspeita é de venda sem emissão de nota, ou seja, faturamento escondido do imposto. Se o tanque tem mais do que o contábil registra, a suspeita é de compra sem nota, produto que entrou por fora. Nos dois cenários, a divergência acima do limite é interpretada como indício de irregularidade fiscal, e abre caminho para autuação, cobrança de imposto e multa. Por isso o controle de estoque não é assunto só do gerente da pista; é assunto do contador. Uma diferença que parece pequena no dia a dia, acumulada ao longo do mês, pode explodir o limite e transformar uma questão operacional numa cobrança fiscal relevante. Conciliar estoque e nota antes que o fiscal faça isso é o que protege o posto.
Como o fechamento diário evita problema com o Fisco?
O fechamento diário é o hábito de fechar as contas do posto todo dia, e não só no fim do mês. A cada dia, confere-se o combustível vendido pela bomba, o estoque medido no tanque e as entradas registradas, comparando tudo com o LMC. É o que impede que uma pequena diferença passe despercebida até virar um rombo.
Quando o posto fecha o dia com disciplina, qualquer divergência aparece na hora, enquanto ainda dá para investigar a causa: uma bomba fora de aferição, tema que o IPEM-SP fiscaliza, uma medição errada ou uma nota que não foi lançada. Deixar para descobrir no fim do mês, ou pior, na visita do fiscal, é o que transforma um deslize corriqueiro em autuação. O fechamento diário mantém três coisas alinhadas ao mesmo tempo: o estoque físico do tanque, o LMC exigido pela ANP e a contabilidade que alimenta as obrigações fiscais. Quando essas três pontas falam a mesma língua todos os dias, a perda fica sob controle, a divergência é explicada na origem e o posto chega em qualquer fiscalização com o dever de casa feito. É trabalho contínuo, mas é o que substitui o susto pela previsibilidade.
Qual é o papel da contabilidade no controle de estoque?
A contabilidade é a ponte entre a operação e o Fisco. Ela pega o que a bomba mediu e o que a nota fiscal registrou e concilia os dois, garantindo que o LMC, o estoque e a apuração de imposto contem a mesma história. Na prática, esse trabalho segue etapas definidas.
- Conciliação de compras: conferência entre as notas de entrada e o volume efetivamente recebido no tanque, para o estoque começar certo.
- Acompanhamento do LMC: checagem de que o livro está preenchido diariamente e conversa com as notas e com o estoque físico.
- Controle da perda: monitoramento da diferença entre físico e contábil, para agir antes que ultrapasse o limite de 0,6%.
- Conciliação de vendas: cruzamento do volume vendido na bomba com as saídas registradas, fechando o ciclo do estoque.
- Suporte na fiscalização: acompanhamento das exigências da ANP, da CETESB e do IPEM quando o fiscal aparece no posto.
São 34 anos atendendo postos de todos os portes, com a familiaridade de quem já sentou do lado do dono na hora da fiscalização. O controle de estoque bem-feito não elimina a perda natural do combustível, mas mantém cada divergência explicada e dentro da lei — que é o que o Fisco quer ver.
Para aprofundar
- Contabilidade para posto de combustível em SP — o guia da GSL, da abertura à fiscalização.
- Fiscalização de posto: ANP, CETESB e IPEM — o que cada órgão cobra e como se preparar.
- Contabilidade para postos na Grande São Paulo — as regiões atendidas pela GSL, das Marginais ao ABC e ao Alto Tietê.
- Fale com a GSL
- Licença ambiental na cetesb — leitura recomendada para quem quer entender o assunto a fundo.
- Regime tributário do posto — leitura recomendada para quem quer entender o assunto a fundo.
Seu estoque de combustível vive sem bater com o sistema e você não sabe se está dentro do limite? A GSL organiza a conciliação entre LMC, estoque físico e contabilidade, para o posto chegar tranquilo em qualquer fiscalização. Fale direto com a GSL pelo WhatsApp: (11) 2684-3923.
Este artigo tem caráter informativo. Conforme o Código de Ética Profissional do Contador (NBC PG 01), cada operação exige análise concreta do caso, mediante contratação de profissional habilitado.
Perguntas frequentes sobre controle de estoque de combustível
Qual o limite de perda de combustível por evaporação?
A referência é de 0,6% (Resolução ANP nº 884/2022, art. 5º). Acima dessa variação entre o estoque físico do tanque e o estoque contábil, o posto precisa apurar a causa e justificar no LMC. Até essa margem, a perda é explicada pela evaporação, pela variação de temperatura e pelo manuseio. Acima dela, a divergência passa a ser tratada como indício de irregularidade pela fiscalização.
O que é o LMC de um posto de combustível?
O LMC é o Livro de Movimentação de Combustíveis, registro obrigatório de todas as entradas, saídas e estoques de combustível do posto. Ele serve de base para a fiscalização da ANP e precisa ser preenchido diariamente, mesmo em dias sem movimento. Desde 2022, pode ser escriturado de forma eletrônica.
O LMC precisa ser preenchido todo dia?
Sim. O registro no LMC dos estoques e das movimentações de compra e venda deve ser feito diariamente, ainda que não haja movimentação de produto naquele dia. Não é um controle mensal feito de trás para frente; é um acompanhamento diário da operação, que a fiscalização usa para conferir se a perda ficou dentro do limite.
Por que a divergência de estoque gera autuação?
Porque, para o Fisco, estoque que não bate indica nota que faltou. Falta acima do limite sugere venda sem nota; sobra sugere compra sem nota. Nos dois casos, a divergência acima de 0,6% é lida como indício de irregularidade fiscal e pode gerar autuação, cobrança de imposto e multa. Conciliar estoque e nota antes protege o posto.
O que é o fechamento diário de um posto?
É o hábito de fechar as contas do posto todo dia: conferir o combustível vendido na bomba, o estoque medido no tanque e as entradas registradas, comparando com o LMC. Ele mantém estoque físico, LMC e contabilidade alinhados, faz a divergência aparecer na origem e evita que uma pequena diferença vire um rombo no fim do mês.
A GSL acompanha a fiscalização da ANP no posto?
Sim. Além de organizar a conciliação entre LMC, estoque físico e contabilidade, a GSL acompanha as exigências da ANP, da CETESB e do IPEM quando a fiscalização chega ao posto. São 34 anos atendendo o setor, com a familiaridade de quem já esteve ao lado do dono na hora da autuação e sabe o que cada órgão cobra.



